6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas



1 a 4 de agosto de 2011 – Búzios, RJ

Considerando que a agregação de valor à biodiversidade brasileira implica, além de sua conservação, a disponibilidade e manipulação de amostras de suas espécies componentes, que permita sua devida caracterização, avaliação e demonstração do potencial biológico e econômico,

  • que os curadores dos bancos de germoplasma dos sistemas nacional e estaduais e de universidades brasileiras são os agentes de governo efetivamente responsáveis pela transformação do potencial de agregação de valor em realidade,
  • que a conceituação e aplicação confusas da intrincada legislação nacional tem criado uma atmosfera de incerteza, insegurança e amedrontamento dos profissionais, cujo trabalho, remunerado pelo Tesouro Nacional e Tesouros Estaduais, envolve a manipulação e mesmo a coleta de espécies nativas,
  • que esta atmosfera, pelo potencial de cercear a liberdade de atuação dos agentes citados, vem reduzindo o interesse dos atuais e potenciais envolvidos em se dedicarem a espécies nativas, que, enquanto esse processo se alonga, já por mais de uma década, os ecossistemas nacionais continuam sendo devastados de modo significante, inclusive sendo depauperadas ou extintas as fontes de diversidade biológica e genética com potencial de agregação de valor econômico,
  • e que, enquanto permanecem as dificuldades para colocação de espécies autóctones em uso econômico, as atividades agrárias nacionais são cada vez mais dominadas por espécies exóticas, cuja expansão muitas vezes se estende sobre ecossistemas naturais,

os participantes do Workshop de Curadores de Germoplasma do Brasil, ocorrido em Campinas – SP, em Julho de 20011, recomendam e solicitam que:

  1. Seja a legislação sobre o acesso ao patrimônio genético brasileiro ajustada à realidade, deixando o atual caráter fundamentalmente restritivo e passando a ter caráter estimulador da agregação de valor à biodiversidadee a seu uso sustentável, inclusive deixando manifesto o apoio concreto à ação dos curadores e dos programas de conservação e caracterização de germoplasma, respectivamente agentes e instrumentos efetivos deste processo de agregação de valor,
  2. E que, até que tal alteração se consolide, seja estabelecida moratória quanto à execução das atividades relativas à coleta, conservação ex situ, caracterização, avaliação e disponibilização para uso de recursos genéticos nativos por pesquisadores contratados por órgãos governamentais de nível federal, estadual e municipal.

04 ago, 2011

CBAB, dez anos

A revista CBAB (Crop Breeding and Applied Biotechnology) está completando dez anos, com 40 números editados. Criado em 2001 a partir de um anseio dos sócios da SBMP, o periódico vem se aperfeiçoando ao longo dos anos. Atualmente, a revista é classificada como B1 pela Capes.

Segundo o editor-chefe Luiz Antônio dos Santos Dias, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), tudo começou quando, em 1999, um grupo de 90 melhoristas, reunidos na UFV, chegou à conclusão de que já havia substância e massa crítica para se criar uma sociedade. Uma vez criada a Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP), percebeu-se já em 2001 a necessidade de um veículo para divulgar a produção científica na área. Nasceu, então, a CBAB, cujo primeiro editor foi o professor Deonisio Destro, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Desde que assumiu a editoria, em 2004, Luiz Antônio dos Santos Dias vem tentando não apenas dar sequência ao ‘belo trabalho’ de seu antecessor, como garantir sustentabilidade financeira e outros avanços para o periódico.

- Hoje a revista quase não consome recursos da Associação. Captamos recursos no CNPq, Fapemig e outras agências – conta Luiz Antônio.

Modernização do lay-out, confecção de logotipo, criação da sigla e mudanças na formatação do conteúdo foram algumas das iniciativas adotadas no período. As instruções aos autores foram atualizadas tendo como inspiração os modelos de três importantes revistas: a alemã TAG (Theoretical and Applied Genetics), a holandesa Euphytica e a brasileira GMB (Genetic Molecular Biology).

Luiz Antônio Dias também destaca o sistema eletrônico de submissão de artigos (que reduziu para cerca de cinco meses o tempo médio de espera entre submissão e resposta) e as estratégias de distribuição, que fazem a publicação chegar a bibliotecas de todo o Brasil e do exterior.

- Monitoramos os acessos pelo Google. Sem contar os IPs repetidos, são cerca de 1,5 mil acessos mensais, efetuados em mais de 50 países – afirma o editor.

Foto: Alexsandro Cordeiro de Azevedo - ASCOM/UENFUma das referências brasileiras em melhoramento de aveia branca (Avena sativa), o professor Luiz Carlos Federizzi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), recebeu o Prêmio Ernesto Paterniani durante a abertura do 6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, nesta segunda, 1º de agosto, em Búzios (RJ). Federizzi e seu grupo são responsáveis pelo desenvolvimento de 97% das variedades de aveia branca registradas no Ministério da Agricultura. Do programa de melhoramento da UFRGS surgiram variedades implantadas ou em teste na Argentina, Chile, China, Estados Unidos e Uruguai.

- Para ser um bom melhorista não é preciso muita coisa. Basta uma formação sólida, trabalho e humildade. Mas para ser excelente, é preciso paixão – disse o homenageado, dirigindo-se especialmente aos jovens que se preparam para seguir a carreira.

Para o professor e melhorista, o desafio das mudanças climáticas para a agricultura é real, mas os programas de melhoramento têm conseguido promover adaptações importantes em boa parte das culturas.

O 6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas continua até quinta, 04/08/11, no Hotel Atlântico, em Búzios (RJ). A realização é da Associação Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP), com organização da UENF e Embrapa Algodão e apoio da Faperj, CNPq, Capes, Embrapa e Ministério da Agricultura (Mapa). Entre os patrocinadores estão a Petrobras Biocombustível, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Caliman, Syngenta, Proneer, Livraria UFV e os programas de pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas e em Produção Vegetal da UENF.

Foto: Alexsandro Cordeiro de Azevedo - ASCOM/UENFProfessor aposentado de Iowa State University e membro da National Academy of Science dos EUA, o Dr. Arnel Hallauer ministrou a conferência de abertura do 6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, dia 08/08, no Hotel Atlântico, em Búzios (RJ).

Referência internacional na área de melhoramento de plantas, Hallauer é autor, entre outras obras, do livro ‘Quantitative Genetics In Maize Breeding’, em coautoria com o professor José Branco de Miranda Filho, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Depois de falar a uma atenta plateia sobre a história e a importância do melhoramento de plantas, Dr. Hallauer concedeu esta pequena entrevista à Assessoria de Comunicação da UENF, com o auxílio da professora Telma Nair Santana Pereira:

Ascom/Uenf: O que o senhor, que é uma autoridade mundial no tema, diria aos estudantes que se preparam para a carreira de melhoristas de plantas?

Hallauer: Temos que encorajar as pessoas, estimular estes jovens. Para atuar como melhorista, já não basta conhecimento nas técnicas clássicas, mas é preciso associá-las às novas técnicas da biotecnologia; o treinamento formal clássico tem que ser associado às novas técnicas. O perfil do profissional de hoje é diferente do de antigamente.

Ascom/Uenf: Os impactos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola já ocorrem ou ainda são cenários prováveis?

Hallauer: As informações sugerem que essas mudanças climáticas realmente vão ocorrer, mas é difícil fazer previsões no que se refere aos impactos sobre a produção agrícola. As mudanças caminham muito na direção da irregularidade dos parâmetros climáticos. Isto dificulta o trabalho do melhorista, que consiste em um processo longo, desenvolvido ano após ano, em diferentes ambientes (ora mais localizados, ora mais amplos), onde os materiais são testados. À medida que as mudanças ocorram, vai ter que haver ajustes. Mas realmente é um processo longo.

Ascom/Uenf: O senhor já tinha vindo antes ao Brasil?

Hallauer: Sim, esta é a quarta vez que venho ao país. Já estive em Recife alguns anos atrás, depois em Piracicaba e também numa grande cidade costeira… não lembro bem o nome…

Ascom/Uenf: Salvador?

Hallauer: Talvez. Já tive alunos aqui no Brasil, alguns muito bons, e tenho um livro publicado aqui em coautoria com o professor Branco Miranda.

Ascom/Uenf: Na sua visão, a disseminação da cultura da cana-de-açúcar para fins energéticos é um problema (para a produção de alimentos e para a preservação de ecossistemas remanescentes) ou uma solução?

Hallauer: Isso depende da forma como o processo é conduzido, mas a cana é uma alternativa que tem menos impacto maléfico ao ambiente, portanto uma alternativa interessante apontada pelo Brasil, que desenvolveu a tecnologia para a produção do etanol. Nos EUA se usa o milho, que não é tão competitivo. Na verdade, não sei por que a tecnologia brasileira não se expandiu para outros países tropicais.

Ascom/Uenf: O que se pode esperar para a área de melhoramento de plantas num futuro de médio prazo, digamos, uns 20 anos?

Hallauer: O melhoramento é uma área em que os ganhos demoram muitos anos para acontecer. Não é como um artefato tecnológico que surge rapidamente. Em nossa área, os trabalhos levam às vezes 15, 20, 30 anos. Um exemplo é o professor Federizzi, que recebeu um prêmio durante o Congresso: ele levou uns 20 anos para desenvolver as suas variedades. É um processo lento, que o público geralmente não vê, mas importantíssimo para todos. Mesmo com os avanços da biologia molecular, o desenvolvimento de uma variedade é algo que demanda tempo e muita persistência.

Uma viagem no tempo, começando com um mergulho num passado de milhares de anos atrás e terminando com o futuro próximo da humanidade: assim foi a conferência do Dr. Arnel Hallauer, referência mundial em pesquisas com melhoramento genético, durante a abertura do 6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, nesta segunda, 01/08/11, em Búzios.
Pesquisador aposentado da Iowa State University, dos EUA, e membro da Academia Nacional de Ciências de seu país, Dr. Hallauer tem influenciado sucessivas gerações de melhoristas de plantas pelo mundo.

Em sua conferência, que teve a moderação do professor Messias Gonzaga Pereira (UENF e presidente da SBMP), Hallauer se reportou ao tempo da domesticação dos animais e dos primeiros cultivos agrícolas para traçar uma breve história do melhoramento de plantas e de sua importância para o ser humano.

- Outras profissões recebem mais reconhecimento do que nós melhoristas, apesar de fornecermos comida e combustível, essenciais à vida do nosso tempo – disse o pesquisador.

Ao frisar que a produtividade precisa crescer ainda muito mais rapidamente do que tem crescido nos últimos 50 anos, Hallauer lembrou que cabe ao melhoramento de plantas a maior parte da responsabilidade pela superação desse desafio. No final, defendeu que as diferentes ferramentas disponíveis para o melhoramento – inclusive os avanços da biotecnologia – devem ser combinadas com vistas a obter os avanços necessários na produtividade.

O 6º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas prossegue até quinta-feira, 04 de agosto, no Hotel Atlântico, em Búzios, tendo como tema ‘Panorama atual e perspectivas do Melhoramento de Plantas no Brasil’. O Congresso é uma realização da Associação Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP), com organização da UENF e da Embrapa Algodão. O evento conta com apoio da Faperj, CNPq, Capes, Embrapa e Ministério da Agricultura (Mapa). Entre os patrocinadores estão a Petrobras Biocombustível, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Caliman, Livraria UFV, Pioneer, Itaú, Botânica Pop, Polimate e programas de pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas e em Produção Vegetal da UENF.

Nesta terça, 02/08, a programação começa às 9h, com minicursos, e prossegue às 11h, com a palestra ‘Applied Plant Breeding and Cultivar Development’, com o Dr. Paul Gepts, da University of Caliornia Davis (EUA). A moderação será da Drª Maria Celeste Gonçalves Vidigal, da UEM.

Confira o programa completo
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